Finança

A “errata” de R$ 180 milhões que ajudou uma small cap a disparar 15% nesta semana

Correção Correct

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SÃO PAULO – Investidores que acompanham small caps estão acostumados com movimentos extremos – e muitas vezes, inexplicáveis – destes papéis. E na última segunda-feira (8), a Unipar Carbocloro (UNIP6) seguiu esta cartilha: a ação, que costuma movimentar em média R$ 220 mil por dia na bolsa, disparou 9,3% no último dia 8 de maio (segunda-feira) com um volume de R$ 578,8 mil – quase o triplo da média. A alta se estendeu ao longo da semana e o ativo UNIP6, que fechou abril valendo R$ 7,41, chegou a ser cotado a R$ 8,95 nesta semana, seu maior patamar em bolsa desde janeiro de 2010 e indicando valorização de 15% ante a semana anterior.

Mas, ao contrário de muitos casos envolvendo small caps, um evento em especial na sexta-feira (5) pode trazer uma luz para o investidor, mas que passou desapercebido talvez pela complexidade da empresa ou por ser ser muito incomum no mundo das companhias de capital aberto.

Por ser uma empresa pouco acompanhada pelo mercado, não é possível cravar com absoluta certeza que a ação da Unipar subiu por causa deste evento. Mas como o desdobramento desta novidade pode trazer um futuro mais lucrativo para os acionistas, podemos concluir, no mínimo, que alguns investidores mais estudiosos do case de Unipar se aproveitaram disso para comprar mais ações.

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Mas o que aconteceu?
Na noite de sexta-feira, a Unipar, que é uma das empresas “queridinhas” do megainvestidor Luiz Barsi, republicou os resultados do quarto trimestre de 2016 e do acumulado do ano, que haviam sido publicados anteriormente em 28 de março. A diferença principal entre um balanço e outro? Um lucro líquido trimestral 506% maior na reapresentação dos resultados em comparação ao número apresentado no final de março. Antes, o lucro líquido da Unipar no 4º tri havia sido de R$ 35,5 milhões; agora, o número saltou para R$ 215 milhões!!!

Em 27 de dezembro de 2016, a Unipar concluiu a compra de 70,6% da Solvay Indupa (fabricante de soda cáustica e PVC), consolidando-se como a maior fabricante de cloro-soda e segunda maior fabricante de PVC da América Latina. E foi a contabilização da combinação dos negócios que fez a empresa republicar o balanço.

Com base no disposto no CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis) 15, que fala justamente sobre combinação de negócios, a equipe financeira da Unipar calculou o “Valor Justo” (valor que um ativo pode ser negociado ou um passivo liquidado) dos ativos adquiridos e passivos assumidos no momento da compra da Solvay. Ao fim do ano contábil de 2016, a companhia contabilizou o valor de R$ 244 milhões como “receita de compra vantajosa em ganhos e perdas com investimento”.

Dessa forma, o resultado originalmente publicado em 28 de março foi este abaixo. Deixaremos destacado na imagem a linha “Outras receitas (despesas) operacionais, líquidas” para que você perceba como este número mudou na reapresentação do balanço, que mostraremos adiante:

No entanto, no dia 5 de maio, a Unipar republicou o balanço com os seguintes ajustes:
i) adição de R$ 272 milhões ao resultado do 4º trimestre decorrente da “identificação da mais valia de ativo imobilizado da Companhia adquirida com consequente reflexo na apuração do ganho por compra vantajosa”;
ii) incremento de R$ 179,5 milhões no lucro líquido do exercício de 2016 por “apuração de imposto de renda e contribuição social e do lucro líquido”.

Assim, o resultado efetivamente apurado foi este abaixo. Perceba que, embora a linha “Outras receitas (despesas) operacionais, líquidas” agora traga um resultado negativo de R$ 89,4 milhões para o 4T16 e R$ 101,5 milhões para 2016, surgiu uma nova linha na DRE, intitulada “Resultado na Combinação de Negócios”, no valor de R$ 516 milhões.

A grande mudança em termos de resultado foi sem dúvida a adição de R$ 516 milhões através da conta Resultado na Combinação de Negócios, que nada mais do que a reavaliação dos ativos adquiridos e passivos assumidos na compra da Solvay. Com isso, as linhas de lucro foram as que sofreram o maior impacto:

Isso explica a disparada das ações?
À primeira vista, uma revisão positiva de R$ 180 milhões no lucro líquido de uma empresa que vale cerca de R$ 700 milhões em bolsa só pode ser uma boa notícia. Contudo, conforme explica um gestor que acompanha de perto o caso da Unipar, esse novo lucro não tem “efeito caixa”, ou seja, não transitará pelo resultado imediatamente.

“Então a ação subiu com uma ‘notícia falsa’?”. Calma, não é bem assim. O impacto não será imediato, mas esse aumento no lucro naturalmente traz uma expectativa bastante positiva para a empresa, uma vez que deve inflar os dividendos distribuídos em 2017. E a remuneração via dividendos é justamente um dos principais atrativos da Unipar para investidores que adoram essa estratégia, como o caso do Luiz Barsi.

Conclusão: o “novo lucro” da Unipar não entrou imediatamente no caixa da empresa, mas provavelmente aumentará o bolo de dividendos a ser distribuído para os acionistas neste ano.

A saber: em 24 de abril a Unipar anunciou que distribuirá cerca de R$ 0,36 por ação em dividendos, com as ações já tendo ficado “ex-dividendos” em 2 de maio e com data de pagamento amanhã (sexta-feira, 12 de maio). Como o preço de fechamento das ações UNIP6 no dia 24 foi de R$ 7,55, o “dividend yield” (dividendo por ação/preço da ação) ficou em 4,77%, quantia que satisfaz qualquer apreciador da estratégia de dividendos.

Fique de olho: balanço do 1º tri vem aí!
Na próxima segunda-feira (15), a Unipar irá divulgar o resultado referente ao primeiro trimestre deste ano e os investidores deverão acompanhar de perto os números para verificar novos ajustes, uma vez que “os possíveis ajustes [aquisição da Solvay] de mensuração serão feitos de forma retrospectiva e deverão ser mensurados no máximo em um ano…de acordo com o CPC 15”, conforme descrito pela empresa no release do resultado publicado em 28 de março.

Em contado com a InfoMoney, a assessoria de imprensa da Unipar confirmou que a operação não tem efeito caixa e que a adição vista no lucro está ligada aos ativos adquiridos e passivos assumidos na compra da Solvay, corroborando o explicado pela matéria.

Mais uma novidade: conselheiros otimistas com a ação
A reapresentação dos resultados de 2016 não foi a única novidade que a Unipar protocolou na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Na terça-feira (9), a empresa enviou o tradicional relatório mensal de “posição consolidada”, no qual as empresas mostram a movimentação no mês anterior de importantes membros da empresa – como acionistas controladores, diretores e conselheiros. No relatório referente a abril, a empresa mostra que os conselheiros compraram pouco mais de 50 mil ações preferenciais classe B (UNIP6).

Segundo o relatório, as compras foram feitas entre os dias 3 e 18 de abril, a um preço médio de R$ 7,50, totalizando cerca de R$ 400 mil em compras no período. Dessa forma, o total de UNIP6 nas mãos dos conselheiros passou de 18,17% para 18,27% entre março e abril.

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